quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

concretagem

coisas sao ditas e impostas
suposiçoes sobre voce
nao sao por curiosidade
e a imagem que inventam
acaba prevalecendo sobre os fatos.

mainframe


calmaria nervosa
as vezes impulso
as vezes impaciência
as vezes sempre nunca

ar

cheguei no topo
o vento passando por mim
indo embora
tudo ao alcance dos olhos
e eu não posso tocar
a fartura pros olhos não sacia

concomitante


num reflexo a reflexão
inflexível
inexorável mutação
imutável processo
Sem solução

domingo, 14 de novembro de 2010

norte


navegar sem rumo
com precisao
a bussola quebrada
a vontade de chegar
a todo pano
num rumo sem direçao
maos vazias
a alma plena de satisfaçao
se movendo

terça-feira, 2 de novembro de 2010

eloqüente

passo boa parte do tempo mergulhado em palavras...
...submerso...
...afogado nelas,não por elas...
valorizo o bom emprego delas na música e nas coisas que leio.
procuro nelas o que não consigo dentro de mim...
algo que me dê sentido,uma tentativa de me conhecer ou quem sabe ao menos me entender.
uma tentativa de codificar sentimentos e sensações.
falar é uma forma de se organizar toda essa balbúrdia
eu tentei expôr impressões,falar desse ano estranho e louco,mas nesses últimos dois meses,meu melhor tradutor foi o silêncio...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ensurdecedor

"Calei e escrevi isso em reverência/Pela coincidência"

Renato Russo"


"O Silêncio Que Precede O Esporro"

O RaPPa


"você sabe o que eu quero dizer/Não tá escrito nos outdoors/
Por mais que a gente grite/O silêncio é sempre maior/.../Você
sabe o que eu quero dizer/Não cabe na (não vale uma)
canção/Por mais que
a gente cante/O silêncio é sempre maior"Humberto Gessinger

Há pouco estava ouvindo Sultans of Swing e pensei no espaço
de tempo entre o lançamento da música e o aqui agora.De
láith pra cáith,o mundo deixa de ser o mesmo cada vez mais
rápido e em processos cada vez mais ruidosos...Só que por
mais que se busque arrebentar tímpanos e decibelímetros,
tudo acaba envolvido num manto de silêncio -esse sim,ensur-
decedor. Nada pior do que a indiferença...
Quando os sultões do swing começaram fazer sucesso,eu ain-
da era criança mas já viajava naqueles solos intermináveis - e
até hoje sensacionais. Por essa e por outras fico pensando no
alcance que a música tem,a capacidade de unir pessoas. do
mundo inteiro,sem que elas nunca se conheçam,unindo com-
positor e ouvinte,que se identificam atrvés dos versos na dor,
na alegria enfim,em tudo aquilo que nos expõe como seres
vulneráveis e mortais.
E agora?...
Tanta coisa dita (tanto barulho) e nada... Dei tanta importância
pra tanta coisa. Por me levar a sério demais,já fui beligerante e
extremamente desagradável,sempre sendo duro demais comi-
go mesmo,tanto barulho,tanto ruído,e aí?
As coisas se movem ao meu redor,indiferentes,silenciosas...
É isso aí,seja lá o que tenha sido. Gritos,gemidos,sons,ruídos,
explosões,a música no meio disso tudo e eu que já perdi o mio
da feada.